As melhores capas de 2020

Seleção de melhores capas do ano pelos designers do jornal literário Suplemento Pernambuco

Design: Hana Luzia

A convite do Suplemento Pernambuco, escolhi minhas 5 capas de livros favoritas de 2020. Para ver a lista completa, com as indicações dos outros designers acesse http://suplementopernambuco.com.br/edi%C3%A7%C3%B5es-anteriores/2594-as-melhores-capas-de-2020.html

Untold night and day (Bae Suah)
Editora: Jonathan Cape (Vintage/Penguin)
Capa: Suzanne Dean com fotografia de Marta Bevacqua
Comentário: Fazia tempo que uma capa fotográfica não me causava impacto, principalmente em livros de ficção. Neste caso, a luz “cortando” o olho faz menção à cegueira (presente na história em diversos elementos), ao borrão que é a narrativa cheia de duplos (realidade/sonho, dia/noite, luz/sombra) e às distorções nas formas e ideias que nos deixam desorientados.

O médico e o monstro (Robert Louis Stevenson)
Editora: Antofágica
Capa: Pedro Inoue com ilustração de Adão Iturrusgarai
Comentário: Quando vi esta capa pela primeira vez criei uma conexão instantânea. Com toda certeza, por culpa do monstro vermelho com seus dentinhos que parece sair de dentro do livro. Uma representação mais moderna e cômica de monstro, diferentemente do que já foi criado para as inúmeras capas da obra. Destaco também o uso da tipografia e o preto & branco, fazendo alusão ao tom vitoriano da época. Nesse contraste fica bem claro que o monstro também é uma transgressão contemporânea de um clássico.

I want to be where the normal people are (Rachel Bloom)
Editora: Grand Central Publishing
Capa: Philip Pascuzzo com ilustração de Sara Deck
Comentário: O design marcante de capas de livros dos anos 1980, tanto na tipografia quanto na ilustração realista, aliado ao tom ingênuo do título, das cores de sorveteria, do cachorro e das Spice Girls na camisa de Rachel Bloom, não me deixa dúvidas que essa é uma das melhores capas do ano.

Os donos da terra (Daniela Fernandes Alarcon, Vitor Flynn Paciornik, Glicéria Jesus da Silva)
Editora: Elefante
Capa: Denise Matsumoto com ilustração de Vitor Flynn Paciornik
Comentário: Este quadrinho, baseado em uma pesquisa antropológica, aborda a luta dos Tupinambá da Serra do Padeiro, no sul da Bahia, pela recuperação de seus territórios até hoje. O que chama mais atenção, além da excelente ilustração, é a composição, com destaque para a mulher indígena em primeiro plano obstruindo a passagem de uma escavadeira. O alinhamento dos 3 principais elementos — indígena, escavadeira e o título — enfatiza o embate e a questão sobre terra e propriedade.

Some go home (Odie Lindsey)
Editora: W. W. Norton & Company
Capa: Sarahmay Wilkinson
Comentário: O mínimo que faz o máximo. Além do impacto visual provocado pelas cores, pela posição, e uso de sombras, o isqueiro com o adesivo de moranguinho também gera uma estranha atração e curiosidade sobre a contradição destes elementos.

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designer & illustrator based in recife, brazil. www.hanaluzia.com ☕🍣

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