As melhores capas de 2019

Seleção de melhores capas do ano pelos designers do jornal literário Suplemento Pernambuco

Hana Luzia
3 min readSep 12, 2020

A convite do Suplemento Pernambuco, escolhi minhas 5 capas de livros favoritas de 2019. Para ver a lista completa, com as indicações dos outros designers acesse www.suplementopernambuco.com.br/edi%C3%A7%C3%B5es-anteriores/2396-as-melhores-capas-de-2019.html

Preocupações (Ana Guadalupe)
Editora: Macondo
Capa: Otávio Campos e Juliana Bernardino
Comentário: A escolha da emocionante pintura de Juliana Bernardino para capa foi certeira, porque transparece a paranoia, a ironia, as separações, a melancolia e o medo que encontramos nos seus poemas, como em “No quarto escuro”: “no quarto escuro não importa / se as janelas não se abrem há um ano / se é chuva de vento ou a tempestade do século / se lá fora você anda sem sombrinha / e vai acabar morrendo de pneumonia / por negligência minha”; e em “A eventual visita da poesia”: “por quanto tempo / terei dinheiro para viver nesta cidade / antes que pese demais o medo / e o medo me roube a energia?”.

UBIK (Philip K. Dick)
Editora: Aleph
Capa: Giovanna Cianelli e Rafael Coutinho
Comentário: A capa representa a ubiquidade abordada na obra — o spray UBIK — através dos fragmentos de diferentes planos que se misturam na história e na ilustração. A tipografia diferenciada do título remete ao uso do spray (na “tinta” escorrendo na letra K) e às tipografias psicodélicas dos anos 1960 e 1970 — época de criação e publicação da obra — e do boom da estética e do consumo futurista no design.

Ideias para adiar o fim do mundo (Ailton Krenak)
Editora: Companhia das Letras
Capa: Alceu Chiesorin Nunes
Comentário: A linda tipografia junto aos grafismos indígenas é simples, harmônico e, para mim, representa visualmente o conceito de “suspender o céu”, presente nos discursos de várias lideranças indígenas.

A fúria (Silvina Ocampo)
Editora: Companhia das Letras
Capa: Elisa von Randow e Cristina Daura
Comentário: A capa, ilustração da espanhola Cristina Daura, representa não somente o universo sinistro e fantasioso da obra, mas também faz referência a uma particularidade da autora: a ausência de seu rosto em várias de suas fotografias.

We kiss the screens (Tea Uglow e AI called George)
Editora: Visual Editions
Capa: Nina Jua Klein
Comentário: Livro impresso sob demanda a partir da experiência e interação do usuário em um livro digital, a partir de uma narrativa múltipla. Logo, cada livro é diferente assim como as cores da capa. É um livro que explora a personalização digital em vários espectros. Resultado de experimento entre a Google Creative Lab e a editora londrina Visual Editions.

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Hana Luzia

art director, designer, illustrator & educator based in recife, brazil. www.hanaluzia.com